Planalto enfrentará problemas após eleição na Câmara

Independentemente do resultado, escolha do novo presidente causará dores de cabeça ao governo

Por Henrique Cézar

No próximo domingo, 1º, acontece a posse da nova legislatura da Câmara dos Deputados e a tão aguardada eleição para a presidência da Casa, que conta com quatro candidatos: Júlio Delgado (PSB/MG), Chico Alencar (PSOL/RJ), Arlindo Chinaglia (PT/SP) e Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Independentemente de quem se eleger, há uma certeza: o resultado causará problemas ao governo.

Historicamente, os últimos anos do primeiro mandato do governo Dilma foram de confronto com o Congresso, em especial com a base aliada e o PMDB. Insatisfeitos com o tratamento do governo, os ‘nobres’ parlamentares dificultaram a vida de Dilma em diversas votações, cobrando mais respeito, independência e diálogo, situações que poderiam ser traduzidas em pedidos para que o governo atendessem seus interesses – entenda-se cargos.

Com a nova composição na Câmara a partir de 2 de fevereiro, a situação não mudará, pelo contrário, deve se agravar. Dos quatro candidatos apenas dois possuem condições de serem eleitos, segundo levantamentos: Arlindo Chinaglia, candidato do governo, e Eduardo Cunha, candidato do PMDB e representante dos insatisfeitos com o governo.

823_eduardo_cunhaConsiderado favorito, Cunha é apontado como inimigo pelo planalto. Dificultou a aprovação de projetos e defende um mandato totalmente independente, caso seja eleito. Em outras palavras, com o poder de presidente da Câmara, pode complicar ainda mais a vida de Dilma.

O presidente da Câmara é responsável por definir os projetos que vão a votação no planalto, articula as votações junto aos líderes e pode até aceitar a abertura de um pedido de impeachment da Presidenta, como defendem setores da oposição. Além disso, se eleito sem o apoio do governo, o peemedebista não teria compromissos com o governo e poderia colocar em prática sua gestão independente, o que agrada a oposição.

Por outro lado, uma suposta vitória de Chinaglia, já que parlamentares apontam que a candidatura do petista vem crescendo, pode significar ainda mais dores de cabeça.

Ciente de que fora derrotado com total empenho do governo, Cunha poderá ampliar o grupo de insatisfeitos e comandar um bloco capaz de complicar e até derrotar o planalto em votações. Uma prova da possível revolta de Cunha foi a resposta dada por ele quando a imprensa divulgou informações de seu possível envolvimento com a operação Lava Jato. O deputado carioca rebateu dizendo que se tratava de uma armação e era inaceitável que o governo interferisse na disputa.

Pelo perfil de Dilma, é pouco provável que o governo ceda e forme uma composição com Eduardo Cunha, o que em tese minimizaria os possíveis estragos do peemedebista no comando da Câmara.

arlindo-chinaglia-no-poder-e-politica-1370556981821_300x300A disputa de domingo será apenas uma prévia da turbulência política que Dilma terá que enfrentar no Congresso. Não bastasse a lava jato, os ajustes fiscais e a instabilidade energética, o governo pode colocar como item prioritário a articulação com o congresso na pauta para os próximos quatro anos.

 

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