Manifestações contra médicos estrangeiros envergonham o Brasil

Médico cubano foi vaiado por “colegas” cearenses na segunda,
26, em clara demonstração de xenofobia. 

Chega a ser criminosa a postura de entidades médicas, profissionais, setores da imprensa e outras instituições em relação a chegada dos médicos estrangeiros ao Brasil, em especial os cubanos, que irão atuar no Programa Mais Médicos, do Governo Federal.

Os últimos acontecimentos apontam para o desespero de uma classe corporativista que mesmo sendo peça fundamental para a minimização da enorme crise que toma conta da saúde pública no Brasil se mostra alheia e interessada apenas na manutenção do poderoso monopólio dos serviços médicos que construiu. O cenário atual rende altíssimos faturamentos a empresas e profissionais, fazendo com que o controle da regulação do mercado seja não só interessante, mas também extremamente lucrativo ao setor, causando medo qualquer “ameaça”.

Mas a aberração não se esgota com a questão econômica. A revolta da classe médica é ainda mais absurda quando observadas as circunstâncias nas quais os médicos estrangeiros estão chegando ao Brasil. O Programa Mais Médico, do Governo Federal, privilegiou os profissionais brasileiros em seu primeiro período de inscrições. Mesmo com o incentivo de uma bolsa no valor de R$ 10 mil mensais, além de moradia e alimentação, nenhum médico selecionou em nenhuma opção 701 municípios, entre os que se escreveram para receber médicos, o que motivou a contratação de 4 mil médicos cubanos, dos quais 400 já se encontram em terras brasileiras se preparando para iniciar o trabalho. 

O Conselho Federal de Medicina exige que os profissionais estrangeiros tenham seus diplomas revalidados. No entendimento do Conselho, os brasileiros espalhados pelo interior que necessitam de assistência imediata continuariam sem atendimento, esperando a revalidação do diploma através de um exame. A entidade ainda acusa a existência de situações “análogas à semiescravidão entre médico”, em um evidente sinal de preconceito ao médicos cubanos. 

O presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais chegou a afirmar que irá orientar seus médicos para não socorrer possíveis pacientes vítimas de erros médicos dos profissionais cubanos, o que exigiu uma nota do CFM dizendo que os médicos brasileiros devem sim atender tais casos. O agravante da situação é que as autoridades dos conselhos médicos do Brasil demonstram desconhecer a realidade do bem sucedido sistema de saúde e formação médica de Cuba, que já atua em diversos outros países, inclusive na Europa, com alto índice de aprovação.

A situação da saúde pública no Brasil chegou ao limite. Não é mais aceitável o tratamento dado as pessoas e o governo agiu, e agiu bem com o programa Mais Médicos, que não acabará com o caos, mas com certeza minimizará. Enquanto pressiona os estrangeiros, o Conselho Federal de Medicina deveria intensificar sua fiscalização nas diversas quadrilhas espalhadas pelo Brasil que enganam doentes, deixam de conceder atendimento adequado e ainda cobram verdadeiras fortunas, isso quando não causam traumas aos pacientes, agindo com desrespeito e pura falta de educação durante as consultas, em clara demonstração de falta de vocação e evidenciando que na verdade os profissionais realmente capacitados e que exercem a medicina com competência e amor não são a maioria.

Os médicos estrangeiros incomodam aqueles que possuem todos seus direitos garantidos e não admitem abrir mão de seus privilégios em favor daqueles que estão necessitando de atendimento médico. Estamos iniciando uma experiência que pode revolucionar a organização da prática médica no Brasil, dando um passo importante para superarmos essa grave doença que é a saúde brasileira, mesmo que ainda não tenhamos encontrado sua cura.

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Comentário(s)

1 Comentário on Manifestações contra médicos estrangeiros envergonham o Brasil

  1. Parabéns pela perseverança! Blog desde 2008, muito bom!

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