Imprensa fracassa na missão de nomear novo presidente da Petrobrás

Incumbidos pelo mercado, veículos da grande imprensa começam campanha contra o novo presidente, Aldemir Bendine

Ao mesmo tempo em que lamentam a atual situação da Petrobras, oposição e mercado financeiro alimentam a esperança de uma oportunidade para implementarem de maneira indireta seus interesses na empresa, que é pública.

A tática deu certo na escolha do ministro da fazenda do segundo governo Dilma. Com grande alarde e pressão, caracterizado pela imprensa, a presidenta optou por um nome que agradou o mercado e, mesmo sem ganhar a eleição, o grande capital assiste a medidas que eles gostariam de implantar, com maior vigor e intensidade, é claro.

Mas com a Petrobras, o tiro saiu pela culatra. Desde o anúncio da renúncia de Graça Foster, a especulação era grande a respeito de quem seria o escolhido por Dilma para conduzir a maior empresa do país em meio a um escândalo de corrupção.

Sempre ouvindo ‘seus especialistas’, a grande imprensa ecoou que o nome deveria passar credibilidade, mostrar força, se relacionar bem com o mercado. A receita em curso era a mesma que dera certo para a nomeação de Levy.

A sorte é que Dilma não errou pela segunda vez. Não se entregou a pressão e nomeou Aldemir Bendine, atual presidente do Banco do Brasil, impedindo que mais um setor estratégico do estado fosse entregue aos interesses do mercado.

Se Bendine conseguirá cumprir a missão e resguardar a Petrobrás da crise que vive, apenas o desenvolvimento de seu trabalho dirá. O fato é que os tão defendidos homens de confiança do mercado representam os interesses dos grandes empresários e poderosos, que na maioria das vezes diverge dos interesses da população.

Tratando de Petrobras, a maior empresa do país e fonte de grande riqueza para a nação, com o pré-sal, por exemplo, é importante que sua gestão seja tecnicamente eficiente, mas também alinhada ao projeto de país que busca mudanças na sociedade desde 2003.

Além disso, não é atribuição da imprensa nomear agentes para cargos públicos, apenas noticiar. Sempre eufórica para defender seus patrões, a mídia confunde os papéis e se sente no dever de advogar para o mercado, assumindo um poder que não tem.

Derrotada, a grande imprensa já iniciou nova campanha, contra a escolha de Bendine. As manchetes, os editoriais e os comentaristas não devem perdoar o novo presidente pelos próximos dias.

Em tempo

A Petrobras passa por uma crise de gestão e os casos de corrupção devem ser profundamente punidos, isentando a imagem da instituição. Porém, ilusão seria ampliar esse discurso. Sabemos que sem uma profunda reforma política e uma participação ativa da sociedade no processo político os casos caem no esquecimento, esquemas que não são descobertos continuam a acontecer e novas tramas se criam.

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