Governos insistem em negar a educação

 
O fim do dia dos professores na noite de ontem, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, representa bem a situação vivida pela categoria e fora muito bem retratada em artigo de Vladimir Safatle nesta semana, na revista Carta Capital: Educação em guerra.
O curioso é que nesta batalha são conhecidas as causas e principalmente as consequências, mesmo antes do fim do conflito. Como bem apontado por Safatle, não procede o argumento de que a educação no Brasil não avança por não se saber de fato o que fazer.
Dos mais graduados aos mais leigos, todos, sabem como começar a corrigir o prejuízo histórico de anos de defasagem da educação. E essa correção, sem dúvida nenhuma, começa pela valorização do professor.
E a guerra neste aspecto é tão profunda que até hoje não encontramos nenhuma parte, sejam partidos ou mesmo políticos, dispostos a abraçar a causa de fato. Indiscriminadamente, os governos no Brasil não querem valorizar o professor.
Falar de São Paulo pode ser redundante, mas não é a penas lá que o descaso ocorre. Com contas sufocadas e despesas com pessoal sempre beirando o limite admissível, prefeitos e governadores descumprem o piso nacional da educação e maltratam seus profissionais. E o governo federal? Também tem culpa no cartório, e muita.
O próprio ex-ministro da educação do PT, Tarso Genro, hoje governador do Rio Grande do Sul, descumpre o piso de professores, piso que ele mesmo criou. Além disso, o governo nada faz contra salários abaixo do exigido por Lei.
A situação também não é restrita ao magistério. A graduação, nas universidades estaduais de São Paulo, por exemplo, está “jogada as traças”. Professores são estimulados a cada vez mais priorizarem a pós-graduação em detrimento da graduação, contribuindo para a piora na formação básica profissional.
A equação é simples: Enquanto não se pagar bem o professor, os melhores alunos não irão para as salas de aula alfabetizar as crianças. Preferirão as engenharias, a medicina, o direito, menos o magistério.
Escolas em tempo integral e federalização do ensino são outros pontos cruciais, haja vista o prejuízo brutal que a municipalização de escolas trás para alunos e professores. Outra preocupação é a formação de grandes grupos educacionais, espécies de monopólios, em suma comandados por estrangeiros que visam lucro e não estão nem um pouco comprometidos com a formação futura do país, muito pelo contrário.
Voltando aos professores, de acordo com um artigo recente do diretor estadual de escola José Joaquim de Souza, a cada dia oito professores concursados, cansados dos baixos salários, pouca perspectiva e más condições de trabalho, pendem demissão de seus cargos e abandonam as salas de aula. Ou seja, a abertura de concurso público, por parte do governo do Estado de São Paulo, para mais de 50 mil vagas, é inútil, tendo em vista que a cada ano cerca de três mil professores deixarão a carreira.
E em meio a isso tudo, toda manifestação legítima de professores, como estamos acompanhando no Rio, por exemplo, é marginalizada, desqualificada e associada aos vândalos aproveitadores. Novamente o diálogo não é aberto e quem sabe as causas e tem na prática a solução dos problemas não é ouvido, em clara demonstração de desinteresse e indiferença.
A guerra da educação está longe de ter um fim. A única certeza é que o Brasil já é o grande derrotado e os professores heróis da superação eternizados na história.

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Comentário(s)

1 Comentário on Governos insistem em negar a educação

  1. É um comentário bem clichê, mas é a pura verdade: todos desejamos aos professores o salário e o reconhecimento que os jogadores de futebol tem.

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