Governo persiste em não se comunicar

Por Henrique Cézar

Após 26 dias do início de seu segundo mandato como presidenta da república, Dilma Rousseff aparenta não ter alterado sua postura política diante dos acontecimentos. Enquanto seu governo apanha na mídia devido aos recentes ajustes fiscais anunciados pelo Ministério da Fazenda e também pela instabilidade energética do país, a Presidenta e integrantes do primeiro escalão do planalto permanecem calados.

A estratégia de se manter em silêncio já se mostrou frágil no passado recente, durante o primeiro mandato de Dilma, e custou caro durante a campanha eleitoral.

Agora, politicamente, o cenário não é bom. Os ajustes fiscais de Joaquim Levy, Ministro da Fazenda, não repercutiram bem. As mudanças nas regras do seguro-desemprego, o aumento dos juros para os empréstimos pessoais, o aumento da gasolina e do diesel, devido à volta da Cide e elevação do PIS-Cofins, além do reajuste do IPI sobre cosméticos foram consideradas medidas conservadoras pela esquerda e receberam críticas dentro do próprio PT.

Além disso, a falta de energia em diversas regiões do país e os possíveis desdobramentos da operação Lava Jato têm deixado o governo acuado diante da ofensiva da oposição e, consequentemente, da grande mídia.

Se a avaliação atual é negativa, ela pode piorar e muito se o silêncio do governo continuar. De acordo com o jornalista Kennedy Alencar, Dilma aguarda a reunião ministerial desta terça-feira para unificar o discurso e defender as medidas de Levy, solicitando que os ministros, principalmente os do PT, defendam o governo. A ideia seria repetir a estratégia de Lula em 2003, quando a política econômica de Antonio Palocci era ataca. De qualquer forma, Dilma não deve se dirigir a população novamente.

Neste momento, de ataques, o governo deveria ser claro e objetivo e estar presente no noticiário para defender as medidas, nada populares por sinal. Dizer que as decisões tomadas foram necessárias para retomarmos em breve o crescimento e descartar as medidas atuais. Enquanto isso não acontece, a desconfiança da população cresce diante do futuro do país e o discurso oposicionista, escoltado pela grande mídia, ganha espaço.

O governo é novo, mas a comunicação continua com a velha estratégia que já não deu certo: o silêncio.

Comente via Facebook

Comentário(s)

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.

*