Governabilidade para quê?

Eleição na Câmara confirmou que nova composição ministerial não foi leal a Dilma

Por Henrique Cézar

Se optarmos por analisar a eleição de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) para presidente da Câmara dos Deputados pelo aspecto político, a conclusão me parece simples: derrota acachapante do governo.

O resultado da eleição de domingo vai além da falta de articulação política do governo Dilma. Pela primeira vez em 12 anos de governos petistas o sistema de governabilidade elaborado pelo partido com a justificativa de tornar o país governável caiu por terra.

Com Lula na presidência, casos de confrontos entre a base aliada para escolha do novo presidente aconteceram, é verdade, mas em nenhum deles o governo se empenhou tanto pela eleição de determinado candidato como nesta oportunidade. E o pior, saiu derrotado.

Cunha desenhou candidatura

A articulação de Eduardo Cunha para ser eleito começou quando o parlamentar foi escolhido líder do PMDB na Câmara em 2013 e se intensificou após sua reeleição para o cargo de deputado em outubro de 2014. Como de costume, o governo tardou em escolher seu candidato e quando Arlindo Chinaglia (PT/SP) partiu para a disputa o cenário já era obscuro.

Partidos aliados?

Os articuladores de Dilma recorreram então aos ministros e políticos que haviam se beneficiado com a nova composição ministerial. O resultado foi uma trágica decepção. Chinaglia não obteve nem os 180 votos que a aliança construída lhe daria em caso de fidelidade dos partidos. PP, PRB e PTB, por exemplo, que receberam importantes ministérios, apoiaram Cunha.

Se a justificativa para colocar um pastor como ministro do esporte (o ministério do esporte foi entregue ao pastor George Hilton, PRB/MG) era conseguir apoio no congresso e construir a tão falada governabilidade, ela foi para o espaço.  Após o primeiro dia de trabalho no Congresso, ficou evidente que Dilma não possui uma base que consiga sustentar seu governo.

Dias difíceis pela frente

Os 267 votos de Eduardo Cunha se somam aos 100 recebidos por Júlio Delgado (PSB/MG), 3º colocado na disputa e candidato da oposição. A matemática não deixa dúvida: 367 deputados são contra o PT. Isolado, o partido da presidenta pela primeira vez em décadas não terá nenhum cargo na mesa diretora da Câmara dos Deputados.

Certamente Dilma seguirá a pior receita que lhe resta e tentará se aproximar do inimigo Eduardo Cunha. Seu governo será intimidado e sangrará bastante, sendo obrigado a ceder em negociações para conseguir passar projetos na Câmara que garantam a sobrevivência do governo.

Está mais que provado que o governo não conta com o PMDB em sua base e os próximos anos serão de desgaste total com o congresso.

Sozinha ou mal acompanhada?

Grande oportunidade para por um fim ao sistema de governabilidade, ajustar a equipe de trabalho e limpar o governo. A medida resgataria a credibilidade e traria de volta o apoio da militância e dos movimentos sociais.

Pena que Dilma escolherá ficar sem o PMDB, sem a militância e sem os movimentos sociais. Caminha para ficar só, isolada, assim como o PT na eleição para presidente da Câmara dos Deputados.

Comente via Facebook

Comentário(s)

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.

*