Como acabar com o político profissional?

Uma possibilidade seria limitar a reeleição no poder legislativo

Senadora Vanessa Grazziotin, autora de proposta que limita número de reeleições de senadores e deputados

Por Henrique Cézar

É cada vez mais gritante a necessidade de uma reforma política para a sobrevivência de nossa democracia. Mesmo sendo pauta das últimas eleições no ano passado, dificilmente um projeto real vingará em 2015.

De qualquer modo, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) interessante foi apresentada recentemente no Senado Federal. De autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), a PEC restringe a reeleição de senadores e deputados. Segundo o texto, senadores teriam direito a uma reeleição e deputados estaduais e federais poderiam se reeleger duas vezes.

Normalmente, ouvi-se a discussão para colocar fim à reeleição de cargos executivos, no caso prefeitos, governadores e presidente da república. Reeleição que não fora prevista na constituição de 1988, mas comprada por FHC em 1997.

O fato é que a proposta de Grazziotin, mesmo sem a menor possibilidade de ser aprovada, ataca um dos maiores problemas do atual sistema político do Brasil: o político profissional.

Depois de eleito e com a máquina em seu favor, máquina que trás os apoios da iniciativa privada, o parlamentar, na maioria das vezes, consegue seguidas reeleições, acomodando sua atuação e tornando-se um profissional político.

Ambicioso em se manter no cargo, não mede esforços para construir sua estrutura sempre em busca da reeleição, atendendo interesses de grupos que o financiam e sempre possuem objetivos divergentes da maioria da população.

Se um dia esse país resolver debater reforma política, sem dúvida terá que limitar os mandatos do legislativo. Precisamos de bons profissionais políticos, não de políticos profissionais. Muito menos de outros Sarneys.

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Comentário(s)

1 Comentário on Como acabar com o político profissional?

  1. poxa, Henrique, concordo com a sua visão e adicionaria que existe um problema estrutural-social e educacional fortemente conectado com a mesma questão: crescemos aprendendo a odiar ou se afastar ao máximo possível da política e “deixamos para quem entende”. Tal fator torna fácil a transfiguração da imagem e do papel que é considerado próprio do profissional da política (especialmente no Poder Executivo). O distanciamento ainda permite a incursão de personalidades pouco “nobres” e oportunistas na esfera considerada. Claro que isso inauguraria uma discussão muuuito maior e, certamente, ainda inconclusiva, mas é interessante notar como parte do problema começa em nós mesmos – e bem cedo.

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