Combater a desinformação e o golpismo

Ainda não tinha nascido em 1964 quando o governo de João Goulart sofreu o golpe responsável por implantar a triste página da ditadura na história de nosso país. Pelo que sei, o golpe não fora noticiado previamente na imprensa da época. Hoje, também acredito ser pouco provável que a população seja avisada e vejo a estratégia da desinformação se repetindo.

O clima de ódio, de revanchismo e o enfrentamento radical do pensamento político-ideológico tem se disseminado pelo país nos últimos tempos, principalmente após o resultado das eleições presidenciais de outubro passado. O que até então era manifestação de repúdio ou insatisfação, legítimo no processo democrático, tem se transformado em uma profunda obcessão pela agressão e começa a preocupar os defensores do estado democrático de direito.

O Brasil sofre com os efeitos da crise internacional e com os próprios erros do atual governo, é verdade. Contudo, a insatisfação com a forma a qual o governo vem conduzindo a economia ou a impopularidade de um governante não são motivos para cassar um presidente, governador ou prefeito. Não estamos contentes nem confortáveis com a atual situação, mas o caminho para a contestação não é o impeachment, por mais que a mídia e a oposição queiram nos convencer.

É bom que se diga claramente que qualquer tentativa de tirar Dilma do cargo hoje é golpe e colocará o Brasil em um profundo estado de instabilidade política e jurídica, instalando aí sim o pleno caos. A atitude do PSDB, que em sua convenção nacional deixou clara a intenção de reverter o resultado das urnas, é mais que irresponsável e desrespeita a constituição.

Para governar o país é preciso disputar e ganhar uma eleição. Há 4 eleições o PSDB teve seu ‘projeto’ derrotado nas urnas e agora liderado pelo porta-voz do golpe, Aécio Neves, tenta confundir a cabeça da população e criar um ambiente que justifique o golpe. Os casos de corrupção estão sendo investigados, políticos e empresários estão presos e nada consta contra Dilma Rousseff até o momento. Ela fora democraticamente eleita em 2014 pela maioria dos eleitores brasileiros, é bom lembrar.

O enfrentamento da oposição deve se dar no campo do debate de ideias. Construam uma agenda, critiquem o governo e mostrem soluções diferentes em 2018, nas próximas eleições. Não se trata de uma partida de futebol e devemos superar o fanatismo. O PSDB que hoje se coloca como solução ética para a política é o mesmo da privataria que vendeu o país e enriqueceu diversos paraísos fiscais, da compra da reeleição em 1997, do mensalão tucano em Minas Gerais que não foi julgado, dos casos da Pasta Rosa e da Sivam e também do cartel de trens em São Paulo, entre outros. Além disso, o mesmo delator que fez doações para a campanha de Dilma, fez doações para a de Aécio em 2014, sem contar que políticos tucanos também foram denunciados no escândalo da petrobras. Isso não assistimos nos jornais.

Não é republicano, muito menos democrático, o uso do cinismo e da hipocrisia de momento. É preciso questionar e exigir respostas progressistas ao atual governo para que consigam no menor intervalo de tempo estancar a recessão e recuperar o desenvolvimento baseado no emprego e no aumento da renda dos trabalhadores. Também se faz necessário combater a desinformação, o oportunismo e defender a democracia brasileira dos golpistas de plantão.

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Comentário(s)

1 Comentário on Combater a desinformação e o golpismo

  1. Talvez, atualmente, o fanatismo esteja mais presente nos embates políticos do que no futebol.
    Um grande abraço e parabéns pelo texto!

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