A arma da Folha para 2014


Entender a contratação de Reinaldo Azevedo pela Folha de S. Paulo para compor a equipe de colunistas do tido maior jornal do país ultrapassa posições ideológicas e adentra ao campo editorial e político.


Como bem apontado por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, a Folha de S. Paulo acaba de contratar não um jornalista para seu time de comentaristas do caderno Poder (política). O Jornal da família Frias contratara um militante político, anti-petista, reacionário e ultraconservador, representante de uma direita caracterizada por tudo aquilo que de mais retrógado há neste país.

Logo após o anúncio de sua contratação, no início da semana, uma onda predominante de críticas e contestações ao jornal pela decisão começou a surgir. Leitores a assinantes tradicionais se revoltaram, já que no embate com o Estadão, Folha sempre se colocou mais à esquerda, ou melhor, menos à direita.

A discussão se ampliou e foi o tema da coluna deste domingo da ombudsman  da Folha de S. Paulo, Suzana Singer. Uma crítica dura, pesada, mas real. Além de chamar Azevedo de rottweiler, em alusão à seu primeiro artigo na sexta, “Os 178 beagles”, Singer sugere um alto nível de discussão, mas considera que na prática o novo colunista pode promover apenas barulho.

Reinaldo reagiu imediatamente. Disse que esperava críticas, mas não ataques pessoais e passou, de maneira didática, a justificar cada ponto de seu artigo, expondo explicações.
As explicações detalhadas de Azevedo justificam o motivo pelo qual ele não deveria ser colunista do Jornal Folha de S. Paulo, ao menos para sustentar a argumentação de que os profissionais que promovem suas opiniões no jornal são pautados pela originalidade para reforçar o pluralismo da empresa.

Mas qual a originalidade que Azevedo pode apresentar aos leitores?

Como apontado no início deste artigo, Reinaldo Azevedo não é um jornalista, mas sim um militante político anti-petista e ultraconservador, que não acrescenta ao debate de ideias justamente por só possuir uma ideia: criticar o PT.

Em rápida consulta à colegas na sexta-feira, durante a Semana de Comunicação da Unesp de Bauru, todos foram unânimes em dizer que não entenderam o que Azevedo quis dizer a respeito daquilo que se propôs a escrever. De seus textos só se extraem ataques marcados. Fosse diferente não precisava ter se explicado à maneira que fez para Suzana. Ou seja, Azevedo não ampliará a “pluralidade” defendida pela Folha de S. Paulo, apenas reforçará uma posição, o que é totalmente legítimo, desde que se assuma e não se vista de imparcial.

O recado foi dado. Os jornalões vão querer a qualquer custo engrossar o debate eleitoral de 2014 e para isso necessitam de armas. A Folha já apresentou seu tanque de guerra.

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